Domingo, Novembro 22, 2009

(No seu inferno eu não tomo sequer mais uma cerveja)



Pois é.


O ano vai acabar de novo, e sinto como se tivesse se passado apenas alguns meses desde que ele começou.


A melancolia é inevitável, depois de tanta coisa vivida, sonhada e destruída. Mas melancolia é aqui mesmo... Nem eu mais dou tanta importância.



Todo homem precisa de uma mulher tranqüila que não se importe em deixar de ser quem é para compartilhar com ele um lar...


Os homens se apaixonam pelas meninas loucas, vão atrás delas no seu ambiente natural, as fazem sentir admiradas por cada defeito, mentem que vão fugir com elas pra bem longe de toda essa caretice idiota, e depois acabam matando-as numa festa de família.



Eu não confio em homens.


Eles sabem como ferir, seja com as mãos, seja com palavras escritas e ditas. Os homens sabem até como matar amor que é eterno, primeiro, latente...



E o ano vai acabar de novo, todo ano acaba o ano. E todo ano acaba uma Amanda diferente... Desse ano fica esse nó na garganta, essa sensação de que muito pouco mesmo do que eu fiz teve algum sentido.



Tirar um tempo pra fazer só o que eu quis, deixando o amor me levar; cuspir na minha cara, pintar meu nariz, enfiar o dedo no meu cu, fugir de casa, matar alguns leões, plantar algumas ervas daninhas e ter um sorriso de festim. Não me arrependo de nada.


Eu não sei como me arrepender, e tudo de ruim que aconteceu, se mistura com tudo de real e bom, até onde eu fui capaz de sentir isso como bom.



Eu ainda sou apaixonante como todas as meninas loucas.


Pena que já não sei mais amar e dar á euforia o sentido da minha existência.


Minha existência era apenas sentir. Nunca foi esse lamento, essa sensação de coisa morta, de ferida que não cessa, de coração vazio que não quer mais ver o mundo enquanto o meu céu ainda for esse.



(No seu inferno eu não tomo sequer mais uma cerveja).



É fim de ano, e quando dá uma saudade de tudo que era próximo, afável...


É quando a solidão aperta e pra todo mundo que eu olho fica só uma vontade de me esconder, de chorar e de ir embora sem dizer nada.


É fim de ano, e ninguém pode fazer nada por ninguém, o ano vai acabar e o que não foi feito, não mais se fará.



É tempo de se esforçar, aceitando que é em vão. São muitas marcas em evidência, nem mesmo a maquiagem nos disfarça de nós mesmos.



Pra quem conhece e já me viu chorar, todos sabem que minha rima era o amor, e há também que ache que ele justifica tudo. Pra mim ele só legitima o desvario, que é fuga e que morre também.


O amor morre antes da gente morrer...


Antes do ano acabar... E acaba com a gente.

Sexta-feira, Setembro 18, 2009

Quantos anos dura um engano?

Abracei o travesseiro e chorei um pouco.
Sei que não vou dormir. Me faz alguma falta ter um amigo pra ligar desesperada de madrugada, mas eu não me desespero mais e nem sei se ainda tenho amigos insones como eu.
Quantos anos dura um engano?
Com quantas lágrimas se enche um rio que nos carregue pra bem longe?
Minha mãe sempre me alertou quanto ao tempo, eu nunca tive noção dele, conto o tempo pelos anos em que meu pai faleceu. Contava, agora nem isso.
O meu tempo é minha insanidade me contorcendo em tempo perdido.
Se fosse só o tempo...
Essa juventude que me distraí, me exaure sem matar, sem parar o coração, sem me ensinar nada que eu não erre de novo em poucos dias.
Na verdade eu só estou contrariando a mim mesma, correndo em círculos por não acreditar em mais nada. Por não querer mais nada. Por só sonhar com o que é morto.
Meu quarto está uma bagunça, tudo fora de seu lugar. A vida toda no mesmo rumo.
Idiotice minha deixar tudo ficar assim, não falo só do quarto, mas de todo o resto porque se alguém vai ter que arrumar tudo sou eu mesma e sozinha.
Não fujo de mais nada e não vejo nada no meu horizonte.
Eu tinha um gato, o Joaquim, que saudade que me dá.
Eu tenho andado muito só e já não tenho certeza do que digo, se sinto, se calo, se nego, se peco, se erro e se erro mais um pouco.
Não sei como cheguei nesse ponto.
Eu li em algum lugar que a felicidade exige tristeza.
E a tristeza exige o que?
Nossa vida toda? Em que parte vem a felicidade? Nunca vi.
Cansada de usar a droga da vida e ser usada como droga por ela.
Ambas não suportamos a badtrip.
O Abujamra acabou de citar uma frase: “O amor é a morte de qualquer alma...”.
E o que a gente faz sem a alma?



Alguém sabe me dizer quantos anos dura um engano?

Domingo, Setembro 13, 2009

a menina dos olhos da cor dos cabelos


"Todo meu pecado só consiste em ter
Tentado me encontrar em meio a teu semblante
Crendo que a vida é como um circo
Num surto de alegria prestes a se apresentar


Já não lembro o que fui antes de você
Sei, acreditava em verdades
Tudo era simplesmente verdade
Tudo era assim


O certo agora é o que eu não posso ver
Medir teu gesto sem vestir teus olhos
Correr meus pensamentos sem te interromper
Pinçar os meus caminhos sem te ter em foco


Eu quero, mas não quero
Estar no seu mundo
E ter aos meus pés incertezas
E minhas contradições


Eu busco um alento, um minuto
Que ainda não apareceu
Pela janela te vejo em detalhes à meia-luz
Eu desenho um poema ao tentar lembrar de ti
E o meu desejo é meu


Perdido em detalhes de cores e beijos
Pronto pra me arrepender
Por viver nesse minuto
Que eu queria o tempo inteiro"


(velhos e usados)

Quinta-feira, Agosto 27, 2009

"your ex-lover is dead"


Diversas vezes, no quarto de livros tranqüilo da minha mente, eu fico divagando sobre a minha tumultuada espiritualidade.
Nessa noite de cara limpa eu consigo respirar como há meses não respirava. Sinto só o vento, e ele me dá o frio que eu preciso pra me curar desse estado febril de um corpo cansado, de marcas tão desgraçadamente significativas quanto se tivesse um verso de Bandeira tatuado nas costas.
“Quando a cabeça não pensa o corpo paga o pecado”?
Que nada, isso é rima de música sertaneja...
O corpo não paga pelos pecados. A cabeça que paga caro, acumula juros em desvario.
Mas nessa noite eu consigo ver a sorte que eu ainda tenho.
Consigo pular corda na minha imaginação que não está focada em nada. Que não se importa com mais nada que eu já tenha imaginado.
Imaginemos o horizonte tão somente. Consegue?
Fechar os olhos sem exigir nada dos sonhos.
Abrir o zíper sem imaginar o som os dedos estalando...
Fechar a cara e não usar do humour com tramas clichês.

Eu não uso verbos como o “ser”. Um palavrão na hora certa me liberta.
A minha violência é quase laica.
Eu é que insisto em arreganhar muito os olhos pra ver o que não existe.

Agora basta.

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

NADA MAIS VAI ME FERIR...

Hoje eu sei que boa parte dos meus sonhos nunca seriam reais, ainda bem que os reciclei antes do fim... Do fim da minha juventude, dos meus dias fortes, ainda que melancólicos.
Nunca fiz maldade gratuita, nunca ousei machucar ninguém por vontade, por vingança.
Não acredito em vingança e minha arrogância não tem qualquer ligação com violência.
Ainda não consegui nada de meu, sinto um desconforto imenso nesses meus dias. É tanta solidão e eu gosto dela, por isso não vou sair daqui pra ser machucada.
Ontem sentei na praça e fiquei vendo as crianças brincando, lembrei de quando meu pai me levava pra brincar naquela mesma praça.
Meu pai me faz muita falta, ter um homem por mim me faz muita falta, e nem é daquelas faltas que eu comento, é daquelas faltas que eu sinto.
Eu não vou mais insistir, e pela primeira vez eu estou falando sério, não vai mais ter filho da puta nenhum pra me dizer que eu sou aquilo que eu não sou.
Se essa merda toda é culpa minha, não será mais. Grandes histórias exigem longos fins, eu não sabia. Não sabia de muita coisa, que agora eu sei, e que nem queria ter ficado sabendo.
To juntando os MEUS pedaços, porque eles são apenas meus.
Morre uma, nasce qualquer coisa que se sabe digna e sincera. Sempre sincera.

Quarta-feira, Agosto 05, 2009

I know it's over...


Minha cabeça dói há quatro dias sem dar trégua.
Não há consolo pra quem foi traído, pra quem se envergonhou da existência e sentiu o gosto podre da humilhação descer garganta a baixo.
Te desejar o mal? Como se fosse possível.
Se ao menos eu fosse capaz de desejar alguma coisa, desejaria um pouco de orgulho e perseverança pra não cair mais em ardis que meu coração cria e a sua maldade gerencia. Ou desejaria que alguma espécie de raio caísse sobre a sua cabeça, mudasse você por completo e te transformasse numa pessoa melhor, menos vil, menos mentirosa e que voltasse pra me buscar...
O que mais dois é a seqüência dos fatos, as palavras que saem com um esplendor que tornam o mal exato em sua intenção.
O que mais dói é ver que o amor da gente não implica em nada nas coisas ruins que vão nos acontecer.

São tantas coisas que doem e o problema não é nem a dor em si, viver em dor é hábito antigo, eu sou forte e nem tomo analgésicos, o problema é ver a vida como ficou, o desfecho da história, ver que o amor só existia em mim e que se alguém ainda vai lembrar e enlouquecer sou eu, essa história era a minha.

(Sou inconstante, inconseqüente, costumo dizer que estou no mundo a passeio, não sei porquê eu vivo assim e encaro as coisas assim, eu sou resistente, coração aberto que rejuvenesce a cada dia ao invés de envelhecer, sou sem muita noção de dignidade e de sentimentos imensuráveis. Nunca ouvi a razão e aproveitei a emoção como um especialista. Ninguém nunca ditou meu tempo e meus verbos. Não me arrependo de nada).

Agora o que mais falta acontecer? Onde mais vou cair de boca no chão e ver você gritar comigo por ter perdido o equilíbrio sendo que foi você quem me empurrou?

Não vai acontecer mais nada até eu ressurgir dessa poeira que ficou dos meus sentidos, da minha alegria. Eu fechei o portão do meu mundo pra você, e confesso que estou com os dedos presos, eu grito de dor, mas aqui do outro lado, porque você não precisa e nem quero que me ouça mais. Talvez ampute o braço e consiga enfim as minhas asas.
Tenho que manter o portão fechado e esperar a mágoa passar, dissolvendo assim todo o meu amor vilipendiado pela sua estupidez.

Nada me consola mais.

Terça-feira, Maio 26, 2009

"hoje só acredito no pulsar das minhas veias..."


É curioso, mas eu estou me sentindo estranha, um sono constante, uma calma que parece mais cansaço.
Minha mente fervilha de histórias e eu sei que ao terminar de escrevê-las não farão mais sentido.
Eu não quero falar de mim; lunática por excelência, cruzamento de estrelas decadentes... (risos).
Porra, eu não consigo mais fingir que nada aconteceu, não esqueço da minha avó, do vento lá do alto daquele cemitério sujo, das coisas que eu sequer consegui pensar, mas que agora me chegam.
Um esforço idiota pra não machucar ninguém... Uma solidão maluca como se não pertencesse a essa espécie.
Sonhei com um gato suicida que falava comigo o porquê de sua decisão, e o céu era desenhado: aquelas estrelinhas que a gente aprende a fazer quando criança.
O gato reclamava que não se lembrava da última vez em que comera peixe (e que tanto gostava!), disse não combinar com a cor do telhado de sua casa e maldisse o amor desiludido com gatas que não se envolviam emocionalmente.
O gato dizia tantas coisas malucas, falava de saudade, de como a humanidade estava sozinha, olhava pra mim triste: “a sua solidão é a do planeta”...
Difícil colocar a minha cabeça no lugar, ouvi por horas o que o gato falou e acordei quando ele disse que ia pular...
Nem sei pra onde ele foi, ou se morreu.
Senti-me culpada por acordar.
Eu me sinto culpada todos os dias ao acordar.
Cansada de provar que meus pés estão firmes em solo de decência (eles nunca estiveram em outro lugar). Se deus existisse seríamos bons amigos, ou namorados.
(Urgência é urgente e ninguém discute a urgência de ninguém, nem com poesia. É...).